Se amei errado? Amei!

Se amei errado? Amei. Meu Deus, se tem algo que eu fiz nessa vida foi amar errado.

Amei cambaleando, derramei boa parte do sentimento no caminho, quebrei o vidro que segurava tudo e, como se não bastasse, acabei me ferindo com os cacos.

Mas o que se poderia esperar de alguém que não sabe nem comer sem fazer sujeira? Como exigir algo de um ser que vai no banheiro da lanchonete pra limpar o catchup do cabelo? O que pedir pra recordista em derrubar copos e perder todas as bijuterias? Como podem querer que uma pessoa que vive com hematomas por se debater por aí ame alguém direito?

Pois é. Talvez o amor seja frágil demais para dar conta dos desastrados, distraídos, míopes, que vivem no mundo da lua e dependem de GPS. Vai ver ele se dá melhor com os atentos, milimetricamente calculados, focados e disciplinados.

Não com quem esquece a comida no fogo e demora meia hora pra sentir o cheiro de coisa queimada. Não com quem mal sabe passar esmalte nas unhas. Não com quem programa dez despertadores no celular pra não correr o risco de perder a hora de manhã.

Deve ser por isso que amei tão errado, que quando tava indo tudo bem julguei estar mal e quando pensei ter dado certo deu tudo errado.

Errei na dose, não prestei atenção, passei do ponto, comi cru, esperei demais, deixei vencer… Sim, eu amei errado.

Mas por errar tanto aprendi a não chorar mais pelo leite derramado. Me chateio um pouco, sim, mas logo já pego o rodo, o pano, limpo a sujeira, abro outra caixa e tento de novo…

E assim vou melhorando, aprendendo e deixando pra lá o que não tem conserto.

Uma hora eu acerto. Ou então o amor se cansa e aceita de vez que transbordar nunca foi um problema.
(Jessica Delalana)

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