Ainda é amor, mas já não basta

Admito que meu coração meio endurecido amoleceu consideravelmente quando você apareceu.  Sempre tive os dois pés atrás, você veio devagar, me deu a mão e conseguiu trazer um deles pra frente. Não teve jeito, você era um daqueles sonhos tão bonitos, que a gente se pega sonhando acordada ao invés de dormindo e aí, bom, aí já era.

Eu te amei, eu sei. Talvez não do jeito certo e nem da maneira que você esperava, mas eu amei. E como amei! Eu não percebi que te amava em um dia específico, como achei que seria, mas eu via o nosso amor ser construído… Dia após dia, noite após noite. Como era bonito ver tudo crescendo aqui dentro, ganhando força, tomando forma. O que era uma tentativa de dar certo se transformou na coisa mais verdadeira que havíamos sentido.

Com você foi diferente… Eu não fiz promessas, eu fiz juras. Eu não ouvia só palavras, eu via atitudes. Eu não tive apenas um namorado, tive um melhor amigo. Eu não lidei somente com despedidas, lidei com lágrimas reais antes das viagens pra casa. Eu sonhei bastante, mas realizei muito mais. Não existiam regras, ligávamos o “dane-se” pro que os outros diziam ser sensato.

 Como qualquer amor puro, existiam planos doidos, sonhos apaixonados, discussões sobre raças do futuro cachorro, lista de nomes de filhos, pesquisa de cidades pra morar, tabela de países pra visitar, receitas salvas nos favoritos, playlist no pendrive, fotos idiotas, brigas bobas, caixa de recordações, filmes pela metade e amor por inteiro.

Num mundo cheio de instabilidade, nós tínhamos segurança num simples abraço. No meio de tantos problemas, encontrávamos soluções numa mesa de bar. Com tanto barulho lá fora, conquistávamos o silêncio ao fechar a porta pra ouvir nossas canções debaixo dos lençóis. Todo mundo percebia, a gente sentia. Estava estampado na nossa cara… Era amor.

O tempo passou e a certa altura, depois de tanto percorrer, nós nos perdemos no meio do caminho. Acontece. Dizem que é muito difícil fazer dar certo e com você foi tão fácil. Mas nos enganamos ao pensar que seria difícil dar errado. Basta um descuido, um deslize. E o problema é que sempre fui muito distraída.

Quando achávamos que o jogo já estava ganho, perdemos no acréscimo do segundo tempo. Vai ver não é bom confiar tanto na força de um sentimento tão frágil. Quando pensamos que era pra sempre, o tempo provou mais uma vez que tudo nessa vida tem um fim, inclusive as coisas mais bonitas e sinceras.

Confesso que seria mais fácil esquecer se eu achasse você um babaca, se a culpa por um sentimento tão bonito ter desandado fosse apenas sua e se eu fosse mais uma garota não valorizada por um cara e, por isso, decide partir. Mas não foi. Nós dois erramos nisso. Quando percebi não havia mais o que fazer… Você já havia perdido aquele brilho nos olhos e eu já tinha me cansado de tentar provar algo que não pode ser provado.

Nós fomos, mas já não somos. O futuro tão planejado, agora é tão incerto. Entramos numa teia interminável de brigas e reconciliações e, antes que se arrebente e deixe feio o que foi tão bonito, opto por seguir sozinha a partir daqui.

Quem dera fosse falta de sentimento. Não é. Nunca foi. Eu te amo. Não vou negar. Eu sempre te amei. Porém, a vida insiste em ensinar agora o que sempre me disseram: Só amor nunca é suficiente. E acho que já está na hora de deixar de ser uma menina teimosa e ser mulher suficiente para aprender.

(Jessica Delalana)

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