Minha sorte tem nome próprio

É tão louco como as coisas acontecem… Eu nunca pensei que a gente chegaria tão longe e, olha só, aqui estamos. Na verdade, no fundo, eu sempre quis, só não imaginei que você me aguentaria por tanto tempo assim. Sei lá, tenho consciência de que não sou a mais fácil das criaturas, né?!  

Ainda lembro bem quando te conheci, anos atrás. Você tinha aquele cabelo estrategicamente bagunçado com spray e eu ouvia no volume máximo aquelas músicas melancólicas, que admito ouvir ainda, às vezes, por pura nostalgia.

Nada começou como nos filmes fofinhos da Sessão da Tarde, foi bem sem graça perto daqueles enredos tão complicados e dramáticos. Você não foi meu amigo primeiro por anos, nem declarou seu amor antes da minha partida pra um país distante. Pelo contrário, apareceu, fez uma breve cerimônia e não perdeu tempo. Ainda bem! Eu sempre preferi a nossa história: direta, leve e despretensiosa. Aliás, nunca gostei de caras enrolados, eu já sou naturalmente complicada por dois.

Disfarçado de um simples namorado, você sempre foi um amigo diferente dos que tive. Aquele que não tinha medo de me falar verdades, que distribuía abraços que deixavam tudo mais fácil, que entendia as minhas esquisitices e que tomava todas as minhas dores – como se eu soubesse mesmo o que era sentir isso. Éramos nós contra o mundo, que era bem menor naquela época.

Lembro daquele nosso ‘jantar’ com hambúrguer e batata frita em que aceitei aquele pedido sem pensar na seriedade real da coisa. Hoje sei que namoro não é brincadeira, é uma decisão a ser muito pensada. A gente mal se conhecia e podíamos ter errado feio. Mas naquele momento, confesso, só me deixei levar pela felicidade que senti vendo aquele brilho todo nos seus olhos. E quem vai me dizer que não fiz a coisa certa?

Eu demorei pra me acostumar com a ideia que estávamos juntos, quando alguém falava algo da gente, eu desconversava. Sei lá. Já tinha me enganado outras vezes antes e achei melhor não exagerar nas expectativas. Fiz o certo. Não precisei delas. Você veio sutil e foi me surpreendendo nos detalhes.

É… Tanta coisa mudou de lá pra cá e o sentimento só cresceu. Amadurecemos muito juntos e sabemos que ainda temos muita coisa pra aprender. Mas quando olho pra trás, tenho orgulho do que a gente se tornou. Aquele amor leve e ingênuo se transformou em um amor maduro e forte, que eu agradecerei eternamente por ter tido a chance de viver.

Gosto de como lidamos com isso. Não precisamos postar um milhão de fotos no Instagram pra mostrar sentimento pros outros. Aliás, nem temos muitas. Juntos nos divertimos tanto que esquecemos da existência do celular e da câmera de 984484685130 mega pixels que vem com ele. Às vezes a gente resolve tirar uma quando nota que o tempo tá voando e precisamos registrar nosso envelhecimento juntos.

O que conta mesmo é o que ninguém fotografa, nem filma e sequer assiste… As nossas conversas de madrugada, os shows barulhentos, as cartas feitas em papel de caderno, as mensagens de ‘bom dia’ no whatsapp, os cafés improvisados na cama, as surpresinhas cotidianas, os raios de sol refletidos no seu cabelo, os nossos dedos entrelaçados enquanto caminhamos na rua e a rotina gostosa de saber que amanhã de manhã ainda vou sentir sua mão na minha cintura quando acordar.

Gosto mesmo da gente, sem lentes, sem filtros, sem redes sociais… Da gente assim, não mais contra o mundo, mas provando pra quem vive nele que o amor ainda vale a pena. Acredito mesmo que, nessa confusão enorme, um dia todo mundo encontre o seu. Porém, com tanta gente lá fora, virar pro lado e perceber que o meu amor continua sendo você deve mesmo ser aquilo que muitos chamam de sorte e que eu preferi dar outro nome que, não por coincidência, é o mesmo que o seu.

(Jessica Delalana)

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