Nosso lugar, qualquer lugar…

Enquanto termino de me arrumar, sinto o cheiro gostoso de banho e olho você ajeitando o cabelo molhado no espelho… Me pergunto como alguém pode ficar tão bem de toalha e com a pele ainda vermelha pela água quente. Me seguro pra não te agarrar ali.

Coloco os brincos ao te observar escolher a calça e a camisa xadrez que eu tanto gosto… Por uns segundos esqueço o que estou fazendo… Essa cor é tão sua e eu sou uma idiota, definitivamente.

Seu rápido ritual é terapêutico pra mim… Enquanto eu estou lá há 1 hora, você reserva os últimos 10 minutos pra se aprontar, e eu amo assistir tudo conforme finjo reforçar meu blush. Cada movimento seu é admirado e decorado por mim.

Distraído você checa a carteira, pega o celular e me olha como quem sabe que está sendo observado há um tempo. Sorri com aquela cara de quem não vale nada, e eu fico feliz por saber que até que vale, sim.

Passa o perfume que se mistura com seu cheiro naturalmente bom e vem me dar um beijo. Eu reclamo que vai borrar meu batom, como se eu realmente me importasse com isso. Você implica e sem me deixar responder, me empurra na cama, rindo.

E com as roupas um tanto quanto amarrotadas, os cabelos bagunçados, você me elogia e me apressa. Eu dou uma última olhada no espelho, jogo os fios pra direita, e você me puxa pela mão. Aí saímos de mãos dadas até o carro, entro e me envolvo por uma alegria dessas que se misturam com gratidão por estar ali com você.

Eu não sei bem o que houve comigo, é tudo tão novo pra gente, mas sei que essas coisas tão pequenas ao seu lado se alojam na minha memória e passam como um filme repetido durante os dias que não te vejo. Tudo em forma de uma saudade boa de se sentir, dessas que sabemos que morrerá no próximo reencontro, no próximo abraço longo, que me aperta e alivia.

Te observo ajustar o cinto e, poxa, será exagero meu te achar lindo dirigindo? Nem te escuto perguntar onde vamos, você repete, eu respondo sem raciocinar direito: ‘Pra qualquer  lugar… Da garagem ao Egito, desde que seja com você, eu vou bem.’ Para o tempo, congela o momento, quebra o relógio… Só te peço: Não me traz de volta pra casa tão cedo. (Jessica Delalana)

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