Você, ele e todos os outros

Você foi a primeira pessoa realmente interessante que eu conheci depois dele. E talvez por isso, na época, ainda não tinha passado totalmente pra mim. Talvez nem pra você, vai saber o que se passava no seu coração naquele momento. Só sei de mim, das risadas que você me tirava quando eu havia desistido e que eu, por medo, te enrolei enquanto decidia se valia mesmo a pena me arriscar de novo.

Esses dias eu vi ele. Lembra que você tinha ciúmes dele? Depois daquele dia em que conversamos sobre nossas experiências e você não gostou da maneira que contei a história. Você sempre falava dele com um ar sentido, e eu achava graça porque sabia que não tinha mais nada a ver, mas era fofo saber que você se importava.

Pra ser sincera, eu também não gostava tanto do fato de saber que você tinha tido seus romances antes de mim. É óbvio que se pudesse escolher, queria ter te conhecido antes, porém, não dava e eu vi que tudo aconteceu como deveria ter acontecido.

Tem gente que não gosta de contar sobre o passado pra alguém do presente, é claro que acho perda de tempo ficar relembrando quem não interessa mais pra alguém que interessa muito. Mas sempre gostei de estar com alguém em que pudesse falar de tudo, e você era assim pra mim.

Quando chegou o momento em que tivemos uma conversa que pra muitos seria chata, tudo foi tão natural e a única coisa que eu conseguia pensar era em como essas pessoas eram sortudas por terem tido a chance de te conhecer assim de tão perto, como eu.

É verdade que de início te comparei com ele e que achei que seria ruim o fato de você não ter nada a ver com o cara que até então era meu ‘tipo’. Mas, depois, você me mostrou que eu sempre estive errada, que sua personalidade me fazia tão feliz e que seu jeito funcionava muito mais com o meu. Aprendi com você que a gente não tem somente um ‘tipo’ ou que se tem, ele se modifica

E por você agora sei como perde quem não se permite mudar de opinião. Tá. Todo mundo tem defeitos e qualidades, é verdade. Entretanto, conforme eu te conhecia, entendia melhor o significado daquela música velha do Kid Abelha que diz ‘Depois de você, os outros são os outros e só.’  

Enquanto ele me cumprimentava, lembrei de você falando que ele era um idiota por ter agido da maneira que agiu. E quando ele foi embora, senti uma vontade de te contar o que havia acontecido, mas eu sabia que não podia mais. Não apenas porque tinha deletado seu número, mas porque não faria mais diferença pra você.

Nem eu sei o que iria te falar também…

Eu só queria te dizer que não senti absolutamente nada, que achei que o tempo não tinha feito bem a ele e que comprovei ali que você e eu combinávamos bem mais juntos. Ele me abraçou, e eu senti falta do seu abraço forte que me causava uma coisa boa no estômago.

Eu só queria te dizer que ele contou uma piada e eu vi que não tinha a mesma graça das suas histórias interessantes. E enquanto ele me olhou nos olhos e sorriu, eu só conseguia lembrar de como os seus eram mais vivos e brilhavam tanto.

Eu só queria te dizer que ele pediu meu número novo para combinarmos um chopp no final de semana e tudo que eu desejei era que fosse você ali dizendo tudo o que ele falou, mas do seu jeito alegre e tonto. 

É… Eu só queria te dizer que eu sei que um dia outra pessoa bacana aparecerá e que assim como foi com ele será com você, também. 

Mas hoje, nesse momento, eu só queria te dizer que senti pena… porque não foi você e eu queria tanto, tanto, tanto que fosse. (Jessica Delalana) 

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