Nós dois, uma porta entreaberta

Você tem razão ao dizer que te enrolei e que isso é errado… É verdade. Inventei mil desculpas e compromissos. Agenda lotada, dias cheios. Respostas curtas, silêncios gigantes…

É que é tão difícil deixar pra lá a gente. É doído fechar totalmente essa porta entreaberta que separa nós dois, sabe?

Enquanto não coloco um fim definitivo, parece que você fica ali pra sempre e me conforta isso. Tanto tempo faz e você não desiste de mim. Por que não desiste e me poupa da parte mais difícil?

Minhas negativas nunca foram por maldade. Foi por defesa. Eu te vejo e meio que esqueço o resto. Te olho e tenho vontade de sorrir. Me forço a não rir e acabo dando um riso sem querer e sem mostrar os dentes, lutando comigo mesma pra não demonstrar essa felicidade esquisita em te encontrar. Você sorri também, e parece que é o unico ali que sabe como me sinto. É algo nosso. Só nosso.

É por isso que não deu mais pra aceitar os convites. Eu sempre fui tão instransponível, mas você me desarma. E é engraçado que não precisa fazer nada pra isso. Mas você faz e deixa tudo ainda mais complicado. Aí fico mais segura distante.

Eu não sei o que sinto, mas algo sinto, sim. E por isso tenho que me lembrar todos os dias que você não foi o mais maduro comigo e que eu tenho que ser madura o suficiente para  continuar como estou.

Sabe, eu tô comendo menos chocolate que antes. Não quero ficar diabética cedo na vida por meus exageros conscientes. E tá difícil pra caramba resistir às coisas no armário de casa. É foda quando você tá sozinha numa situação de privação com mil tentações à volta.

Quase como é com você, estou sozinha convivendo com minha vontade e essa saudade chata.

Mas tá ficando mais fácil deixar o chocolate pra lá. E você também. Aos poucos tô te esquecendo. Ou fingindo que esqueço.

Hoje você não me mandou mensagem. E eu fiquei triste e aliviada. Melhor assim. Nós dois merecemos a felicidade e, pelo menos, no momento isso não funciona direito quando estamos juntos, né?

Minto que fechei a porta, até que um dia acredito nisso. É como se eu a trancasse e rezasse pra você entrar pela janela.

É… Eu sei que no começo parece quase impossível essa falta. Aí penso no depois…

Sei que minha saúde agradecerá depois… Mas o meu coração, por enquanto, não…

(Jessica Delalana)